O poder da energia

•16/07/2009 • 1 Comentário

Pulinhos e olhares compassados
O vento a mexer em suas mechas
Juliana passa cantando.

Palmas ritmadas
Estalando os dedos
Intercalando os fados
Despertando aplausos
Multiplicando encantos
Dizendo em quatro tempos
Aquilo que é sabido
Dar certo com as plantinhas:

CRESÇA, MUNDO!

O passageiro

•29/04/2009 • Deixe um comentário

Olhos.
Durante 18 minutos, sou todo olhos.
Meus olhos olham, ouvem e até comentam.

Um filme passa lá fora, tudo passando, passou mais cem, passa mais, olha aquele vindo nos passar, passam mais coisas, passa o tempo, passamos aquele de novo, passam mil… esse sono não vai passar?!

Olhando…
Casa feia, bonita, bonita, bonita, terreno, posto de gasolina, feia, feia, bonita.

Farol…
Gente bonita, feia, feia, bonita, bonita, bonita, apressada, bonita, animada.

Movimento…
E é cada loja sem freguês! Será que os lojistas ocupam o tempo com algo produtivo?

Hoje eu consegui um lugar na janela!

A cidade passa enquanto passo a catraca e a batida na outra pista passa batido.
Será que a banda passou cantando coisas de amor e eu nem vi? o.O

Qual é a cor do amor?

•10/03/2009 • 2 Comentários

“O amor é furtacor”, ela diz.

E sorri.

Sorri pra valer. Com aquela confiança marca dos quadrinhos, aquela intangível aos mortais.

E os olhos, ah! os olhos… sorriem junto!

Pego-me a pensar, em casa, sozinho, sereno, sobre o que é, foi, será, seria, o amor. Mas hei! Onde está meu amor nessa hora?

Puxa, que dor no peito!

Vou pro terraço, olhar a cidade que construí. E então os acende-apaga das janelas vão me contando morsecamente o que eu já sabia sobre o amor.

Amor é aquele não-sossego, aquela pressinha de girar o relógio e ir de encontro ao próximo gole de outrem, aquele nó na barriga quando o tempo não passa, quando não passa o passado, não vem a voz com as palavras cujo não-ouvir tanto tortura. É saber que aquele sabor só serve ao seu paladar e para dar de amar ao deus que em ti está.

Então eu deito a céu aberto, olhar pro alto, respiro fundo. Luscofusco tela de cinema, cores lindas em alta definição, e o vento a me contar histórias do tempo em que o pneumotórax poderia ter salvo o poeta que tomava a tal alegria.

Eis que ela surge na tela, olhos a sorrir no céu. Quase um sol!

Linda!

Imaginação é linda, mas não é esse “é” do verbo ser. E nada do tempo passar, nada da hora chegar! Seja!

Voe, tempo! Venha, musa minha! Mais uma dose, é claro que eu tô afim!

Aí vem o vento cantando, dizer pra eu ser forte, fingir ter paciência. Olhando pro céu, peço baixinho pra ter forças e ser um cara cada vez mais cara.

E o filme acaba, a tela vem escurecendo pelo cantinho, tal nuvem carregada prestes a me render. Gotascaem… parece um ataque alemão de email de “piadas para escritório”.

Uma certeira, dessas que tornam Murphy irrefutável, beija meu olho aberto. E a visão do beijo, o fugaz e eterno instante em que a gota espelha o mundo todo e se junta a mim em tão sublime momento de reflexão sobre o quanto amo essa mulher, é a imagem mais furtacor que poderia surgir para um mortal.

É… ela sabe bem o que diz. 

***

Meio de março… hora certa de ouvir “Summer’s Almost Gone”, do Doors.

Amor Concreto

•03/03/2009 • 1 Comentário

Esse amor em linha r
                           e
                           t
                           a
Um amor de palavras CONCRETAS
Percorre  
                  minhas
                                 loucuras
                                                    prediletas
Resgata minha rima (imã) tão correta
Ensaio beijos no teu corpo (louco)
M
e
r
g
u
l
h
o
na bebida
do seu
copo.
Distraio esse desejo louco. (pouco?)

Quando fecho os olhos

•22/02/2009 • 2 Comentários

Quando fecho os olhos é quando acordo.

Basta deitar-me na intenção de dormir,

à noite, à sombra da lua,

e então as ideias vêm

aos montes, sem ordem.

Qual cinema sem começo e fim.

Mil vontade, mil aspirações, mil jeitos de revolucionar, mil flashes

torturando-me.

Privando-me do repouso.

Perturbando-me. Excitando-me. Provocando-me.

Explodindo meu céu em pensamentos vívidos.

Quero ser tudo, fazer tudo.

Fazer a diferença.

Quero levantar e não dormir mais. Não dormir na vida e deixar de viver.

Que força é essa escondida na cama,

que me transporta a tão inquieto mundo,

e me faz apto a produzir madrugada afora, como estas frases?

Ao fechar dos olhos.

Ao calar da noite, tento dizer algo a mim mesmo.

Quando fecho os olhos

é quando olho pra mim.